Na região norte de Goiás, no município de São Domingos, está uma das mais fantásticas áreas cársticas do Brasil. Ali, os rios que nascem na serra Geral (divisa de Goiás e Bahia) e ganham volume sobre os maciços de quartzito, acabam formando uma série de cavernas quilométricas ao encontrarem o maciço calcário. Em um trecho com pouco mais de 40 km estão várias das mais belas e notáveis cavernas brasileiras.

Histórico

As primeiras descobertas na região de São Domingos ocorreram em 1970 quando a Sociedade Excursionista e Espeleológica de Ouro Preto - SEE organizou uma expedição a fim de topografar a Lapa da Terra Ronca. Sua imensa entrada já era conhecida há muito, sendo objeto de romarias e cultos religiosos. Apesar de ter se limitado à Terra Ronca, a equipe recebeu informações de inúmeras outras cavidades, confirmando os indícios já observados em mapas e fotos aéreas.

Essas informações motivaram Guy Collet e Pierre Martin a organizarem uma nova viagem à região, o que se concretizou em 1972. Dentre os vários rios com potencial espeleológico, dois estavam nas prioridades das explorações: São Mateus e Angélica. Neste ano foi descoberto o sistema Angélica-Bezerra, sendo as explorações interrompidas no alto de uma grande cachoeira.

No ano seguinte, uma nova expedição foi organizada, ampliando as atividades na região. Na Lapa do Bezerra foram explorados 3 km, sendo interrompidos por um desmoronamento. Também foi descoberta uma nova cavidade abrigando a ressurgência comum dos rios Angélica e Bezerra. Contudo, um desmoronamento (no rio Bezerra) e um sifão (no rio Angélica) bloquearam as passagens poucos metros adiante.

No sistema São Mateus foi encontrada uma dolina acessando às entradas de São Mateus II e III, sendo topografados 4 km na primeira.

Em 1974 são explorados 9.200 metros na Lapa do São Mateus III e, em 76, essa marca foi ampliada para 10.828 m, fazendo de São Mateus a maior gruta do Brasil.

Paralelamente (de 73 a 78), o CAP - Clube Alpino Paulista, explora as galerias do sistema do rio São Vicente, chegando-se até uma grande cachoeira denominada "Garganta do Diabo". Este obstáculo seria vencido só em 1987. Neste mesmo ano foi encontrado o Abismo Ponte da Craibinha que acessava à parte final de São Vicente. Mas somente em 1989, uma grande expedição reunindo espeleólogos brasileiros, italianos e franceses conseguiu conectar todos os segmentos da caverna, totalizando 9.211 metros de desenvolvimento.

Em 1993, o Grupo Bambuí retoma os trabalhos de topografia da Lapa do Bezerra, descobrindo inúmeras galerias inexploradas e ampliando a sua extensão para 8.100 metros.

Em 94 é organizada (Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas, Grupo Espeleológico da Geologia - GREGEO de Brasília e Groupe Spéléo Bagnols Marcoule - GSBM, da França) a maior expedição espeleológica já realizada no Brasil, reunindo 89 espeleólogos em 35 dias de atividade. Ao todo foram mapeados mais de 30 km, destacando-se os 13.800 metros da Lapa do Angélica (conectada à sua ressurgência) e os 7.500 metros na Lapa de Terra Ronca (conectada à Lapa da Malhada).

Novas expedições franco-brasileiras acontecem em 95 e 97; sendo os trabalhos direcionados, principalmente, ao sistema São Bernardo - Palmeiras. A Lapa do São Bernardo III contabiliza 3.800 metros de projeção horizontal.

No ano de 1995, a UPE (União Paulista de Espeleologia) organiza uma nova expedição a São Vicente, topografando 4.128 metros na Lapa do São Vicente II e 5.200 metros na São Vicente I (parte realizada na retopografia das galeria do rio). Outras expedições são organizadas em 96, 98 e 99.

Principais cavernas de São Domingos

Existem cinco sistemas principais na região. A principal característica comum entre eles são as galerias quilométricas e o grande volume dos cursos d'água. De sul para norte, são eles:

Sistema São Bernardo - Palmeiras:
Lapa do São Bernardo - Palmeiras: 3.500 m
Lapa do São Bernardo II: 2.800 m
Lapa do São Bernardo III: 3.800 m

Sistema Terra Ronca - Malhada:
Lapa da Terra Ronca I: 750 m
Lapa da Terra Ronca II - Malhada: 7.500 m

Sistema São Mateus - Imbira:
Lapa do São Mateus III: 10.828 m
Lapa do São Mateus II - Imbira: 4.106 m

Sistema São Vicente
Lapa do São Vicente I: 13.555 m
Lapa do São Vicente II: 4.703 m

Sistema Angélica - Bezerra
Lapa do Angélica: 14.100 m
Lapa do Bezerra: 8.250 m

A próxima expedição

Ainda sem data definida, a próxima expedição deve ocorrer na época da seca, entre os meses de junho a setembro. O objetivo principal é a continuidade dos trabalhos de exploração e topografia, principalmente no Sistema São Mateus.